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3 de junho de 2012

O primeiro pódio

Um marco. Haverá para sempre, o antes e o depois do pódio de Miguel Oliveira em Montmeló, Catalunha. Para o motociclismo português seguramente, mas sobretudo para o próprio Miguel.

Um dia a "série negra" teria de parar. Queda em Jerez, a desistência mais estranha da sua carreira no Estoril, queda em Le Mans. Sempre em condições de discutir o primeiro lugar. Nova desistência na Catalunha teria sido um desastre.

Em vez disso, veio um terceiro lugar conquistado em árdua luta contra alguns dos seus principais adversários. Nem mais, nem menos. Um pódio. Excelente. Para aliviar a pressão no piloto e na equipa e para servir de tónico para o que vem a seguir. Contadores a zero, a época vai recomeçar. Força Miguel.


17 de maio de 2012

A vã glória

Casey Stoner parecia destinado a ser um dos maiores de sempre deste desporto. Não vejo como, nos próximos anos, sentado numa Honda, o australiano tivesse rivais verdadeiramente à altura para o impedirem de igualar o seu compatriota "Mick" Doohan em sucesso e número de títulos.

Já provou tratar-se do mais dotado, daquele que é capaz de ganhar com uma moto ganhadora e de ganhar com uma moto que não é ganhadora.

Hoje, em nome da família e de um desporto que já não o entusiasma, anunciou a sua retirada no final da temporada. É preciso ser enorme como homem para abdicar de toda a glória como atleta.

(Oficialmente começou hoje a corrida ao melhor lugar do MotoGP: o de primeiro piloto oficial da Honda. Eu digo Jorge Lorenzo...)

13 de maio de 2012

BMW Ubber Alles

Anos a fio, décadas a fio, a BMW foi vista como uma marca de motos de polícia, "para velhos" ou, simplesmente, "as motos em que os alemães viajam". Já dentro deste século, na sequência de uma evolução tecnológica acelerada nos anos 90 do século XX, a marca bávara lançou-se à conquista de novos mercados e novas clientelas procurando, de forma arrojada, bater o pé aos "gigantes" japoneses naquilo em que eles são melhor: a construir motos desportivas.

A entrada no Mundial de SBK é apenas uma faceta desse atrevimento. Hoje, em Donigton Park, a BMW viveu um momento histórico ao obter a sua primeira vitória no campeonato máximo das motos desportivas derivadas de série. Mais: fê-lo obtendo uma "dobradinha". Mais: não fosse uma manobra "fogosa" de Rea na última curva da segunda manga (que deitou por terra as duas S1000RR) e a BMW teria conquistado nova "dupla" no mesmo dia. Marco Melandri e Leon Haslam aos comandos.

Com este resultado, a BMW entrou definitivamente para a classe das marcas vencedoras nos maiores palcos desportivos.

Ps: o MotoGP ficou mais perto, ou é impressão minha?...



6 de maio de 2012

Atrás de tempo, tempo vem

Em 2012, como em 2011, Miguel Oliveira falhou a possibilidade de obter um resultado à altura do talento já evidenciado nos dois Grandes Prémios onde mais factores tinha a jogar a seu favor: Jerez e Estoril. Na pista espanhola, duas quedas; na pista portuguesa, episódios bizarros que não podem acontecer a este nível num conjunto piloto/moto/equipa que podem lutar pelo título e que discutem os primeiros lugares nas qualificações de cada grelha e os lugares cimeiros de cada corrida.

O pior que podia acontecer ao Miguel nesta altura é começar a passar a ideia de que se trata de um piloto que falha nos momentos em que não pode falhar. Deixemos à sorte (ou falta dela) a explicação dos acontecimentos. Mas todos os que rodeiam o Miguel e o apoiam incondicionalmente devem reflectir profundamente sobre este conjunto de (infelizes) resultados. É que o Moto3 pode ser uma entrada, um início de etapa, mas é já um palco de excelência onde os erros se pagam caros. Se o Miguel não conseguir "manter-se à tona" numa categoria onde as "fornadas" de talento são constantes e algumas fortemente apoiadas, será rapidamente trucidado. E ninguém quer isso.

"Atrás de tempo, tempo vem" e por isso, depois desta dupla jornada andaluzo-lusitana será importante recolocar os contadores a zero, levantar a cabeça e seguir em frente. Com a determinação de sempre, ou ainda maior. E pode ser já em Le Mans.


29 de abril de 2012

Olé... ou a fantochada espanhola!

Não é a primeira vez, não será necessariamente a última. Os comissários de pista do circuito de Jerez deram mais um sinal da sua inequívoca, mal disfarçada e escandalosa parcialidade quando toca a fazerem o seu trabalho. Perante a impassividade da FIM, que continua a pôr-se de parte no que diz respeito à "gestão" da sua principal disciplina e perante o faz-de-conta-que-não-vimos da DORNA, os patrões do MotoGP que dependem, em muito, dos patrocinadores espanhóis. Todos assobiam para o lado.

Desta vez, nem os patrocinadores espanhóis "safaram" o nosso Miguel Oliveira. O que escrevo nada tem a ver a com patrotismo, mas apenas com a análise dos factos:

Facto 1: o Miguel Oliveira cai quando seguia na frente da corrida de hoje de Moto3 e, quando tenta regressar à pista, os comissários ROUBAM-LHE a moto das mãos, forçando-o à desistência perante os visíveis (televisionados para milhões em todo o mundo) protestos do piloto.
Facto 2: Alex Rins cai quando está na luta pelo primeiro lugar com Romano Fenati. Os comissários de pista correm na sua direcção, levantam-lhe a moto e empurram-na - CRUZANDO A PISTA - até o motor Honda voltar a trabalhar; a sua determinação parecia suficiente para empurrarem a moto, se preciso fosse, durante quilómetros.

A diferença é óbvia. O Miguel é português (podia ser italiano ou francês, seria igual), o Rins é espanhol. Os comissários de pista do Circuito de Jerez não conseguem deixar de ser adeptos e ser apenas comissários de pista. São uma vergonha. Ou uma "verguenza". Protagonizaram mais uma fantochada, desta vez com consequências desportivas para o nosso único representante português no "Mundial". Também por isso é legítimo e moralmente obrigátório que a Federação de Motociclismo de Portugal apresente um protesto formal face aos acontecimentos verificados hoje.

OLÉ!

NOTA: escrevo a quente e poucos minutos depois de ver a corrida de Moto3. Não sei se a equipa do Miguel apresentou algum protesto junto da Direcção da Prova. Se não o fez, é um mau serviço que presta a si mesma. O Miguel é a sua principal possibilidade de vencer o primeiro título de sempre de Moto3.

18 de março de 2012

A bela Elena

Elena Myers, de apenas 19 anos, entra para a história como a primeira mulher a vencer uma corrida profissional no circuito de Daytona. Foi no decorrer da Daytona Bike Week, na segunda prova de Supersport. Bela - e brava! - Elena.

Homenagem

Jason DiSalvo - que já vimos correr no Mundial de SSP com as Triumph 675 da ParkinGo 2010 - ficou em segundo lugar nas 200 Milhas de Daytona, prova corrida ontem, na Florida.

DiSalvo, que voltou a pilotar a Triumph Daytona 675, correu com o nº9 e as cores de Gary Nixon. Uma bonita homenagem a esta lenda americana.

0,048s

200 milhas, 1h47 de corrida e no final a diferença entre primeiro e segundo foi de 0,048s. As corridas deviam ser todas assim. Daytona, ontem.

8 de fevereiro de 2012

O lóbi

É certo e sabido que a política, os interesses económicos e as "firmas poderosas" tomaram conta do desporto em geral. É assim que atletas proeminentes ficam pelo caminho, e outros absolutamente medianos se eternizam em equipas de topo e exibindo patrocínios de primeira.

Mas nem sempre as diferentes são cavadas por fossos tão evidentes como aquele que começámos por referir. Por vezes, pilotos de igual valia disputam um determinado posto, para o qual o "eleito" acaba quase sempre por ser, invariavelmente, o "afilhado" de algum poder com maior ou menor visibilidade.

O MotoGP não escapa a esta regra e a esta lógica.

No ano passado, o português Miguel Oliveira começou o campeonato a dar nas vistas, guindando-se a posições que o material ao dispor não faria suspeitar numa época de estreia. O seu "nemesis", o espanhol Maverick Viñales - rival já batido no CEV em confronto directo - tinha uma estreia discreta. De repente, enquanto Oliveira se debatia com problemas de vária ordem, Viñales aparecia subitamente a discutir vitórias. Tornava-se claro, o piloto da Blusens começara a receber apoio de fábrica (Aprilia) ao nível da formação de ponta, a equipa de Jorge Martinez.

O resto da temporada, mais não foi do que a confirmação destes factos.

Terminada a época, com os equívocos conhecidos para o piloto português que o levaram a abandonar o campeonato antes deste se concluir, Oliveira tem a possibilidade de estrear, em duas provas do CEV, a nova Honda de Moto3. Em duas provas, consegue outras tantas vitórias. Se preciso fosse, o jovem Miguel convence a Honda e a equipa Monlau, de Emilio Alzamora, a contratá-lo para 2012.

Pouco depois, a Repsol (actual patrocinadora da equipa de fábrica da Honda em MotoGP e apoiante de vários pilotos em Moto2 e Moto3) anuncia os seus pilotos oficiais para este ano: Casey Stoner, Dani Pedrosa, Marc Marquez, Alex Rins e Miguel Oliveira. Isto é o mesmo que dizer que os dois espanhóis (Marquez e Rins) e o português eram os pilotos "encarreirados" para a sucessão a Dani Pedrosa na formação principal da Honda, seja daqui a um ano, seja daqui a dois ou três; sobretudo, tendo em conta que Marquez deverá ser o substituto directo do pequeno Dani.

Ontem, o mundo do motociclismo não deixou de olhar com alguma ironia para o anúncio de que Maverick Viñales também seria piloto oficial Repsol...

A conclusão não pode ser outra: o lóbi de Viñales não descansou até colocar o piloto em igualdade com os dois rivais da Monlau. Esta exibição de poder, a somar à que já fora evidenciada no ano passado, parece não deixar margem para dúvidas: este rapaz vai longe, e não será necessariamente pelo seu talento...

Miguel Oliveira aos comandos da Honda da equipa Monlau, hoje em Valência

15 de janeiro de 2012

Salvou-se o pódio

Felizmente começa a ser habitual termos de escrever para elogiar e felicitar Helder Rodrigues pelas suas performances. Este ano foi de novo terceiro no Dakar, uma posição que diz, inequivocamente, se preciso fosse, qual é a qualidade do piloto português.

Também serve para perceber que sem o apoio mais directo e empenhado de uma fábrica, dificilmente entrará na luta pela vitória.

Quanto ao resto... bom, o resto foi uma prova em que cada vez mais parece evidente a sempre mal-disfarçada protecção aos pilotos e aos interesses franceses e dos própios organizadores. Tudo o que se passou este ano foi, nalguns momentos, vergonhoso (a penalização a Paulo Gonçalves, a falta de desportivismo...), em tudo contrário ao espírito de Thierry Sabine, o criador desta prova.

Daqui ao descrédito total é um pequeno passo.

20 de novembro de 2011

Ups!... He did it again!

Depois da exibição de Valência, dose idêntica em Jerez. "Pole" e vitória (só faltou a VMR). Miguel Oliveira já é um nome absolutamente incontornável no panorama motociclístico mundial. Não só por escrever história na categoria Moto3, como pelo talento que voltou a tornar evidente nesta fase final do CEV. Será que ainda não tem um contrato à frente para assinar?...


13 de novembro de 2011

Histórico II

E pronto! À "pole" de ontem, seguiu-se a primeira vitória de uma Moto3 em corrida, com o Miguel aos comandos. Deu seis segundos ao segundo classificado, 14 e 17 às vedetas Alex Marquez e Alex Rins, respectivamente, e ainda fez a Volta Mais Rápida.

Se o Miguel ainda tiver que pagar para conseguir um lugar na grelha do Mundial de Moto3 na próxima temporada, então está tudo errado no mundo do desporto motorizado!



Histórico

A primeira "pole" de sempre de uma máquina da nova categoria Moto3 foi obtida pelo lusitano Miguel Oliveira. Sai na frente para a penúltima corrida do CEV (que reúne motos de 125cc e Moto3), hoje, em Valência.


12 de novembro de 2011

Pela porta dos fundos

Loris Capirossi "esticou" a sua actividade para além do que a sua carreira exigiria, acabando por ter uma retirada dos palcos muito pouco condizente com o seu real papel no motociclismo desportivo dos últimos 20 anos.

O piloto italiano, Campeão do Mundo de 125 cc em 1990 e 91, merecia uma saída da competição pela porta grande, quando ainda era tido como um talento a considerar e potencial ganhador de corridas ao mais alto nível. Nos últimos anos, "Capirex" limitou-se a ser "mais um" e tornou-se mais ou menos evidente a sua falta de motivação. Deixando-se arrastar pelo paddock no crepúsculo da carreira, só restou a Capirossi a saída pela porta dos fundos, discreta, sem provocar nos adeptos deste maravilhoso desporto qualquer especial emoção ou homenagem.

22 anos em actividade, 328 GPs disputados, 29 vitórias e 99 pódios não deixam de ser, porém, uma "folha de serviço" dourada.


23 de outubro de 2011

SuperSic

Não era sequer um piloto pelo qual sentisse, pessoalmente, grande admiração. Apesar da sua forma extrovertida e muito latina de ser. De criar amigos com facilidade e de ter uma forma "quente" de estar no desporto. Mas, sim, admirava-o. Por essas razões.

Marco Simoncelli, 24 anos, natural de Cattolica, terra de profundas tradições motorizadas, era um talento em estado puro. A sua vontade superava, por vezes, o seu talento. Ficará por apurar, ou não, se a sua última queda terá sido exemplo dessa sua "imagem de marca". SuperSic era, pela sua maneira de ser, o contrário de quase todos os pilotos que hoje ocupam o paddock do MotoGP.

Não chegaremos a saber até onde poderia ir Simoncelli na sua carreira. Mas, apesar da passagem breve pelo palco máximo do motociclismo, Simoncelli (como Daijiro Kato antes), dificilmente será esquecido.

R.I.P.

16 de outubro de 2011

Stoner melhor que Rossi

Parece cada vez mais claro, Casey Stoner "corre o risco" de ser considerado melhor que Rossi. Corre? Claro que corre!

É evidente que não me refiro a estatísticas, nem quero, principalmente, apagar, ignorando, o passado glorioso e imaculado (até agora) do talentoso italiano que foi Campeão do Mundo em 125, 250, 500 e MotoGP 990 e 800, sendo que, na classe rainha, ganhou títulos com Yamaha e com Honda. Stoner não fez nada disso... "Limitou-se" a ser Campeão do Mundo de MotoGP 800 com a Ducati quando se dizia ser a melhor moto desse ano. E era-o indiscutivelmente. Até hoje.

Hoje, Casey Stoner, no dia do seu aniversário, voltou a conseguir o título máximo do motociclismo e a oferecer à Honda o primeiro galardão na classe de 800cc, provando que o primeiro construtor mundial, afinal, também era capaz de ganhar e que só a sua cega aposta num cada vez mais desolante Pedrosa, impediu que tal acontecesse antes. E, também, provar que a Honda podia ganhar sem uma moto desenvolvida por Rossi.

Não quero, também, insinuar que Stoner é melhor que Rossi porque, no mano-a-mano, em duelo directo, como naquela inesquecível disputa de Laguna Seca, o italiano bateu o australiano. Mas aí não é só talento, é feitio!

Quando Livio Suppo deixou, discretamente, a Ducati e partiu para a Honda levou um plano. E esse plano, entre outras coisas, consistia, no essencial, em devolver a hegemonia da marca na categoria, apoiando-se naquele que, na opinião do "manager" transalpino, seria o único piloto capaz de bater Valentino Rossi, estivesse este aos comandos da moto que estivesse.

A época brilhante de Stoner deu-lhe razão.

O piloto da Honda foi mais forte, não apenas porque teve a melhor moto (e teve!), mas também porque soube dela tirar partido de forma inequívoca e inquestionável. Como Rossi antes fazia, afinal. O sucesso de Stoner crescia, ao longo da época, com o passar das corridas, na mesma proporção que o "desaire" da ligação Rossi/Ducati evoluía para mais caricatos e rebuscados episódios.

No fim, a observação dita uma única verdade: Stoner, que foi o único piloto a fazer ganhar a Ducati 800, venceu no seu primeiro ano aos comandos de uma moto diametralmente oposta à anterior. No reverso dessa mesma medalha, Rossi sucumbiu à "síndrome vermelha" que antes envergonhara um piloto talentoso como Marco Melandri, no primeiro ano em que se viu aos comandos da moto de Borgo Panigale, desentendendo-se de tal maneira que obrigou a sua marca, de infinitamente mais pequenos recursos que os gigantes japoneses, a desdobrar-se na procura de soluções, nenhuma delas à altura do talento de Sua Majestade. Nem o "Feiticeiro de Oz", Jeremy Burgess, lhe valeu desta vez. O Super-Homem é, afinal, Clark Kent.

Rossi voltará aos dias de glória? Claro que sim. Mas dificilmente com a mesma facilidade, autoridade e arrogância que antes. Stoner não vai deixar.



2 de agosto de 2011

A crise, ou um sinal dos tempos?

O fim de semana até correra bem para as cores da Yamaha. Embora sem nenhuma vitória, a marca colocara os seus dois pilotos no pódio, em ambas as mangas da nona jornada do Mundial de Superbikes deste ano, em Silverstone.

Eugene Laverty, um piloto em quem se deposita grande esperança para o futuro fora segundo e comandara ambas as mangas, Marco Melandri que vinha de duas vitórias nas quatro últimas mangas, fechou o pódio. O italiano foi mesmo dos pilotos mais falados durante o fim de semana pois vira o seu contrato automaticamente renovado com a marca por ocupar uma posição nos três primeiros do campeonato a 31 de Julho... Era a primeira vez em quatro anos que Melandri não teria de mudar de equipa. Era a primeira vez, desde 2008, que a equipa Yamaha em SBK ía manter os seus pilotos duas época seguidas.

Tudo parecia correr bem; e no entanto... A 1 de Agosto, no dia a seguir à prova inglesa, a Yamaha divulgou um comunicado em que anunciou o seu abandono do campeonato de motos derivadas de série, justificando este medida com um reenquadramento da sua estratégia de marketing para a Europa. Em português que todos percebam, devido à enorme quebra de vendas das motos super-desportivas no Velho Continente, a marca vai deixar de gastar as verbas que investia na manutenção dos programas desportivos, limitando-se a fornecer material a equipas privadas.

Por isso, entendemos que, mais que um reflexo da crise que a economia mundial atravessa e dos dias difíceis que afligem a zona Euro, e também o Japão, esta medida enquadra-se numa redefinição de estratégias comerciais das grandes marcas que deixam de ver nas corridas um bom investimento dado que estas não têm consequência nas vendas do dia a dia. Na semana anterior à corrida de Silverstone, alguma imprensa italiana deu conta de um possível abandono da Aprilia no final da próxima época (se não antes...) motivada exactamente pelas mesmas razões. As vendas em stand da RSV4 estão muito aquém do esperado, apesar de se tratar de uma moto comprovadamente eficiente e... Campeã do Mundo!

Por outro lado, com o aproximar das regras do MotoGP às motos de série (vai passar a ser possível utilizar blocos de série e a cilindrada sobe para 1000 cc, ou seja, a cilindrada das tetracilíndricas desportivas que correm nas SBK... e este tema dava outro artigo), as marcas não vêem necessidade de gastar dinheiro a manter programas desportivos e desevolvimento tecnológico em paralelo, preferindo, quase de certeza, concentrarem-se no MotoGP que é muito mais impactante em termos de marketing e funciona melhor como laboratório de tecnologia pois as fronteiras estão num horizonte mais distante do que as restrições impostas às motos derivadas de série.

O mesmo caminho parece estar a seguir a Suzuki (aí com problemas acrescidos, pois durante décadas, os seus produtos âncora foram as motos super-desportivas) e não nos espantaria se a Honda seguisse a mesma via. Só a Kawasaki parece estar verdadeiramente contra a corrente.

Talvez seja cedo para afirmá-lo, mas o desporto motorizado de duas rodas pode estar à beira de uma grande reforma, na qual campeonatos e classes vão desaparecer abrindo novas vias para o futuro.

24 de julho de 2011

22 de julho de 2011

26 de junho de 2011

Já está!

Só custa a primeira...