Um dia, o João Tomás e o Gonçalo foram experimentar o hóquei em patins, levados por um amigo e colega de escola do "mais novo". Ao Benfica, claro, o clube do Pai e o mais perto de casa. (O João queria ir para o futebol, mas ao segundo treino estava a pedir para ficar) . Foi em Setembro passado. O João tinha (tem) oito anos (tarde para começar nestas lides...), o Gonçalo tinha seis. Nunca tinham visto um par de patins na vida.

O equipamento foi chegando à medida que o entusiasmo ía crescendo, mas numa modalidade que não é barata, há que ter cuidado, não fossem os humores mudarem e o investimento ficar "a fundo perdido". Mãos amigas emprestaram-nos os patins 'à pro' e, no início de Janeiro, ambos estavam em condições de começar a encarar a "coisa" a sério.
Quando o treinador da formação perguntou no grupo quem queria ser guarda-redes e o Gonçalo foi o mais lesto a levantar a mão, fui o menos surpreendido naquele pavilhão. Desde o tempo dos primeiros pontapés na bola que o meu filho mais novo tem "queda" para a baliza, contrariando a tendência da maioria dos miúdos de tenra idade, para mais no hóquei, onde a tarefa é impedir que projécteis balísticos disparados com força e convicção entrem na pequena baliza... O Gonçalo é um "natural" para a função. Um à-vontade que se veria nos tempos seguintes, agora devidamente alicerçado em treino específico.

A estreia no escalão seguinte - Benjamins - a substituir um dos guarda-redes da equipa, teve sabor a "recompensa", pelo empenho com que o pequeno Sousa tem encarado a sua actividade. Saíu desse jogo sob um coro de elogios que lhe deram confiança para o futuro e incharam o ego dos progenitores. Como o dia em que foi, pela primeira vez, capitão de equipa e pôs a sua assinatura numa ficha de jogo.

A boa caminhada inicial valeu-lhes a passagem à segunda fase (que ainda não terminou). Não sei que classificação final a equipa irá obter, mas, na verdade, esse aspecto não me preocupa de todo.
Vida mais dura tem tido o João. Com idade de Benjamin de segundo ano (onde muitos já têm quatro anos de patinagem), a dificuldade na adaptação podia (na verdade, ainda pode) conduzir ao desânimo e ao abandono.
Com os colegas que estavam na mesma condição, trocou os treinos da iniciação pelos da equipa correspondente à idade. Primeiro em Algés, agora em Campo de Ourique. Passou com distinção a prova psicológica de ver o irmão estrear-se na "sua" equipa quando foi chamado aos Benjamins e "aguentou-se" na esperança de ainda se estrear este ano. Um incompreensível (ou inadmissível?) problema burocrático impediu o João, e mais dois atletas, de serem inscritos a tempo de darem o seu contributo à formação, o que só aconteceu recentemente no Torneio de Oliveira do Hospital onde, finalmente, teve a honra de vestir a camisola oficial (e logo a nº7...) e começar a perceber o que é ser atleta de competição e... jogador do Benfica.
Estes dois miúdos mudaram a minha vida. Mas têm-me enchido de orgulho. Eu que sou sentimental e de lágrima fácil, nunca esquecerei a estreia de ambos e é bem verdade que o meu coração acelera o ritmo sempre que entram na pista. Não lhes peço que ganhem, não quero que sejam melhores que os outros. Desejo apenas que se divirtam e que respeitem colegas e adversários. Se assim for, terão tempo e oportunidade de ganhar.
Nao sei se os seus filhos leram o que escreveu sobre eles. Mas posso dizer-lhe que o orgulho será mutuo.
ResponderEliminarBonitas palavras.
Um abraço e boas curvas
Grandes "putos" a sair ao Pai.
ResponderEliminarMais uns anitos e aí estão os 3 em grandes passeatas montados nas suas Triumphs.
Vai uma aposta?